Alentador texto, a culpa é mesmo das estrelas?

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"Sei que você se acostumou com a solidão. Sei que é difícil colocar certezas em alguém que é tão incerto e cheio de dúvidas. E que a vida tem sido um pouco cruel demais, e você carrega essas cicatrizes de forma amarga, mas engole tudo a seco junto com o choro. Também, aposto que várias pessoas te disseram a mesma coisa. Te pediram confiança, e era tudo que você tinha até te decepcionarem. E parece tanto egoísmo meu querer ser novamente essa pessoa que pede que confie. Que acredite. Que a vida não é isso, e que tudo que você passou sozinho, daqui pra frente eu vou estar do seu lado. Mas sei que você sabe disso, em algum lugar. E tenta ir embora, porque não quer amargar a doce inocência de alguém que a vida ainda não tirou as esperanças de dias limpos sem tempestades a todo instante. E eu vou atras, seguro sua mão. E te olho. E procuro todos os motivos do mundo pra ir embora, acredite, eu encontro todos. Encontro nos seus medos, seus segredos, suas vergonhas. Mas não vou embora. Eu fico. Não são motivos tão fortes assim. Então você me diz que é uma pessoa ruim. E some, sem dar noticias, confirmando o que disse. Me deixando sem nada. Nem um adeus, nem um não, nem um até nunca mais. Só some. Mas fica dentro de mim. Me lembrando de todas as vezes que você demonstrou que era tão frágil como um recém nascido e deixou, sem querer que eu visse toda luz que existe em você. Mas corre de mim quando eu não me assusto com seu pior lado. E tenta ir embora quando começa a perceber que existe luz entrando pelas rachaduras de uma armadura tão judiada pelo tempo. E implora que eu viva a minha vida. Que não quer que sua escuridão destrua tudo que eu sou. Mas eu não vou. Eu vou atrás. E você foge. Foge porque pela primeira vez não tem medo de se ferir, mas tem medo de ferir alguém com o gosto amargo que é estar do seu lado. Acha que não merece a luz de alguém que não tem medo do seu escuro. E juro, eu quase desisto. Eu tento desistir. Mas não consigo. E eu volto. E eu te acho. E você me encontra. E dói em mim por você não confiar, mas dói em você muito mais porque não quer acreditar em mim, mas acredita. Dói porque você achou, há um tempo atrás, que nunca mais gostaria de ninguém, mas acabou gostando. E tem medo. E quer fugir, mas não consegue. Pensa em ir embora, mas quer ficar pra sempre. Tem medo de dar errado, mas descobre que não tem mais gelo no coração, tem eu aí dentro. E não dá pra tirar. E você no fundo fica grato por isso, porque não quer tirar. Muitas coisas ruins aconteceram no seu passado, mas dessa vez entende que uma coisa boa chegou. E você não quer perder. E eu não quero te perder. Então, tão de repente como começou, você é meu. Tão meu como nunca foi de ninguém, descobrindo aos poucos que sou seu como nunca fui de ninguém. Talvez seja por isso que as luzes da noite te guiaram pra tão longe. Você é meu. Eu sou seu. Então nos encontramos." — A culpa é mesmo das estrelas?